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domingo, 29 de junho de 2008

O círculo de giz caucasiano



O autor nos apresenta o posicionamento político entre duas comunidades caucasianas (uma agrícola e outra pastoril). É feita uma assembléia entre elas, sendo discutido o "direito à terra" após a guerra travada contra a Alemanha de Hitler. A questão central levantada é sobre quem tem esse direito: os donos que a abandonaram durante a batalha ou os que ali ficaram e cuidaram do local, tornando-o mais fértil?

No meio do debate, um Delegado da Comissão Estatal de Reconstrução, da Capital tenta mediar o debate. Para tentar encontrar uma solução para o impasse, tem-se uma festa entre os dois grupos camponeses, e, é apresentado aos grupos de colcós, assistem a uma peça teatral, que tem total relação com a disputa entre as duas comunidades.


O Resumo: “O círculo de giz caucasiano”

Há muito tempo em uma cidade apelidada de “A maldita”, vivia um governador, Geórgi Abaschvíli. Era muito rico e tinha um único herdeiro, Miguel, e uma linda mulher, Natella Abaschvíli. Por ocasião de uma revolta popular, o governador é deposto e sua cabeça é cortada e presa no alto do pórtico do palácio.

“Quando desaba a casa de um graúdo,são esmagados muitos dos pequenos:os que compartilhar jamais puderam da sorte dos poderosos,em geral compartilham do azar deles.A carruagem que se despenca no abismo leva com ela os cavalos suados.” Pág.198.

Grusche, uma empregada da corte, encontra Miguel, um bebê fidalgo, abandonado no pátio do palácio. Este esquecido por sua mãe fútil, que preferiu fugir levando consigo coisas materiais ao próprio filho. Grusche salvou sua vida.

Sendo perseguida, por todos os lados, por soldados que buscavam recompensas, Grusche se vê diante da possibilidade de abandonar a criança em vários momentos. Passando fome e frio, vive a dualidade do desejo de estar só e manter-se segura para esperar o noivo voltar da guerra e da incapacidade de deixar o bebê no meio do caminho.

Escondida na casa do irmão, Laurenti, se depara com a bondade deste e o conservadorismo da cunhada. Para não levantar suspeita e esconder o menino, Grushe se casa com um moribundo, para que a criança tenha um nome e possa ser disfarçado dos olhos dos revoltosos, assim, se torna a sua mãe de criação.

Mas é apenas um breve fôlego, pois para começar um debate sobre a questão da propriedade, aparece a rainha Natella Abaschvíli e reivindica a maternidade sobre o filho. Manda seus guardas a procura da criança, pois esta única herdeira do governador, era a sua esperança em voltar a ter a sua vida fútil e rica. Encontrado escondido com Grusche, Miguel é levado ao Juiz para que possa ser feito um julgamento sobre a "propriedade da criança".

O juiz era Azdak, beberrão que é empossado pelo próprio povo em momento de transição e caos político. Era um fanfarrão que quer se dar bem a todo o momento, mas nutre sentimentos revolucionários por influência de um avô, decepcionado com o fato de que a queda dos velhos senhores não trouxe um novo tempo, mas um tempo de novos senhores. Virando a lógica burguesa pelo avesso, de modo a absolver os pobres e condenar os mais poderosos, Azdak lança mão de qualquer artifício para reverter o conceito de justiça estabelecido pela ordem dominante. Esse Juiz é como um “para-raio” de todas as contradições históricas, um cara que, por um instante achou que estava acontecendo uma revolução, e aproveitou essa brecha histórica para trabalhar. Azdak faz o que for preciso para manipular as leis e assim dar ganho de causa aos pobres porque se comporta como um ambíguo “Justo” das fábulas antigas. Ele é o “Hobbe Wood” da época, não é um herói, mas que por vias tortas acaba ajudando os excluídos.

O juiz resolve o problema posto da seguinte forma: utiliza-se de um recurso arbitrário, e inventa uma prova, desenha um círculo de giz em torno de Miguel e pede para as duas mães o puxarem. Nas duas tentativas, Grusche solta o menino por duas vezes, pois não pretende machucá-lo. Então o juiz dá o argumento final, aliviando a tensão do momento. O filho é de quem o criou, para quem entende a justiça como o que ela deveria ser e não como foi instituída.

Comentários

O autor, Bertolt Brecht, nos apresenta uma reflexão sobre a propriedade, numa perspectiva marxista. Quem faz uma breve leitura do texto não consegue separar a fábula exposta da estória bíblica do Rei Salomão.

“Então, vieram duas prostitutas ao rei e se puseram perante ele.
Disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos na mesma casa, onde dei a luz um filho.
No terceiro dia, depois do meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma outra pessoa se achava conosco na casa; somente nós ambas estávamos ali.
De noite, morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele.
Levantou-se a meia-noite, e, enquanto dormia a tua serva, tirou-me a meu filho do meu lado, e o deitou nos seus braços; e a seu filho morto deitou-o nos meus.
Levantando-me de madrugada para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, reparando nele pela manhã, eis que não era o filho que eu dera a luz.
Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho; o teu é o morto. Porem esta disse: Não, o morto é teu filho. O meu é o vivo. Assim, falaram perante o rei.
Então disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho é o morto; e esta outra diz: Não, o morto é teu filho, e o meu filho é o vivo.
Disse o rei: Trazei-me uma espada. Trouxeram uma espada diante do rei.
Disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo e daí metade a uma e metade a outra.
Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu; seja dividido.
Então, respondeu o rei: Daí à primeira o menino vivo; não o mateis, porque esta é sua mãe.
Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram um profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça”.

(Reis 3, 16-28)

No texto bíblico, a posse é discutida em sentido diferente da posse do texto de Brecht. Aqui vemos um esbulho pacífico, pois a mulher, mãe da criança (no texto bíblico não se fala em mãe biológica) sofre esbulho durante a noite contra a sua vontade, cabendo a ação de reintegração de posse. No tocante a clandestinidade, o prazo de ano e dia tem início a partir do ato. Nessa hipótese não há oportunidade para o desforço imediato, que deve ser exercido logo após o desapossamento, isto é, ainda no calor dos acontecimentos. O Rei Salomão declarou a posse da criança e obrigou de imediato a reintegração da posse.

Já na posse discutida no texto de proposto, é aquela, superior a um ano e dia. É aquela que a propriedade fora abandonada por tempo considerável e depois da valorização do bem, uma vez que era o único herdeiro do governado, é procurada pelo proprietário, sua mãe biológica, para se fazer dos benefícios da herança do menor. Mas quem tem direito sobre ela? Quem deu a luz ou quem dela melhor cuidou?

Brecht faz uma metáfora sobre a propriedade e a posse da terra através da peça teatral, pois enxergo a criança como a propriedade. Grusche, a pessoa que tomou posse da coisa, e, por fim, a mãe biológica da criança, viúva do governador, a proprietária que abandonara a sua propriedade.

De Almeida, Marques & Aguilar rua Araguari, 359, sala 64, Bairro Barro Preto, Belo Horizonte.
Precisando de advogado ligue 31-2535-9999.
Leandro Lopes Aguilar
www.dealmeida.adv.br


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