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terça-feira, 12 de julho de 2011

E SATIAGRAHA PERDURA


Hércules Rodrigues de Oliveira – Professor universitário

Conhecer a Bíblia é um ato de fé para os cristãos e, uma grande oportunidade para que todos os que professam a ética, como religião, possam dela compartilhar ensinamentos. O mesmo digo para todos os livros sagrados, enquanto obras literárias, cujos autores eram pessoas iluminadas com a capacidade de comunicação com o divino, a exemplo do Corão (Islamismo), Torá (Judaísmo), Zend-Avesta (Zoroatrismo), Mahabharata (Bramanisno), Rig-Veda (Hinduísmo), esses últimos na Índia, entre outros. Na verdade não conheço religião que pregue o mal. Conheço pessoas que interpretam as palavras nelas contidas de acordo com sua vocação política e, interesses pessoais, firmados tão somente pela ciência da cratologia, o que me faz lembrar que: “armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”.

Rompendo questões que podem fomentar a heresia, mas buscando respostas em contrastes também em nossa contemporaneidade, a passagem bíblica de Barrabás (agitador político, ladrão e assassino) é significativa. Protegido pelo astuto e corrupto Caifás (deixado pelos romanos no cargo de Sumo Sacerdote há mais de 18 anos), foi liberto, em troca da morte por crucificação de Jesus Nazareno, preso político, que fez a opção pelos menos favorecidos e crítico à ambição contumaz dos donos do poder vigente, ameaçando a estabilidade do regime político e econômico na Palestina, cumprindo desta forma, com sua própria vida, a profecia.

Os livros sagrados da remota Índia foram inscritas em sânscrito cuja origem, acredita-se, ter sido dos guerreiros Arianos, provenientes das estepes da Ásia Central e até mesmo do Afeganistão. Satiagraha é uma palavra em sânscrito que significa Satya, verdade, e agraha, firmeza, a firmeza da verdade, também traduzida como “a busca pela verdade” termo cunhado por Mahatma Gandhi, durante sua campanha pela independência da Índia contra o domínio britânico.

Inspirados no caminho da verdade, o Departamento de Polícia Federal (DPF) iniciou a Operação Satiagraha contra o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro, desencadeada no ano de 2004, resultando na prisão de vários banqueiros, diretores de banco e investidores, em julho de 2008, entre os quais Daniel Valente Dantas, fundador do Banco Opportunity (Opportunity Asset Management) com sede no Rio de Janeiro/RJ, banco brasileiro comercial e com carteiras de investimentos.

Daniel Dantas e Barrabás, salvo o hiato temporal, tem algo em comum, pois eles representam a seu modo, um grande contraste, apesar de que, ambos foram patrocinados por interesses políticos. Barrabás contou com o Sinédrio (Assembléia de Juízes Judeus) que justificou sua máxima atribuindo motivos elevados: "Convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação" (João 11:50), e assim o libertaram e em seu lugar crucificaram Jesus de Nazaré.

Daniel Dantas que acabou condenado em 2008 por crime de corrupção ativa, prolatada pelo juízo da 6ª Vara Criminal Federal a cargo do juiz Fausto De Sanctis, teve, passados quase três anos, a anulação do processo condenatório da Operação Satiagraha. O Sinédrio tornou-se a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça que concedeu a ordem de habeas corpus, justificando sua máxima atribuindo motivos elevados: a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), órgão subordinado ao gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, foi ilegal e contaminou toda a apuração.

Conforme bem disse o desembargador Maierovitch: “Dantas conseguiu, perante o Superior Tribunal de Justiça, uma decisão em que o acessório foi mais importante do que o principal. Onde a verdade real, ou seja, a comprovada corrupção ativa, restou desprezada. O STJ passou uma borracha, como se a corrupção ativa acontecida não tivesse relevância”.

Libertem Dantas e crucifiquem os outros! Bem, quanto aos outros, lídimos representantes do Estado brasileiro, vejamos: o juiz Fausto De Sancts ao ser promovido a desembargador não foi punido com advertência por desobediência ao Supremo Tribunal Federal (STF); o Delegado Federal Protógenes Queiróz, foi salvo graças à eleição do palhaço Tiririca que o levou a reboque para o Congresso Nacional, ganhando imunidade parlamentar por um mandato; o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) e o seu órgão central ABIN, mais uma vez tornaram-se alvo da fúria da lapidação que colocaram em sua conta, diferenças mal resolvidas. A impunidade mais uma vez venceu! Até quando?

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