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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Em ato no centro de São Paulo, CUT e bancários explicam aos paulistanos como fim do imposto sindical pode fortalecer trabalhadores


O imposto sindical acomoda uma boa parte dos sindicalista não precisando estes lutarem contra as injustiças patronais e somente esperarem pelo acordo coletivo ou convenção coletiva para voltarem ao estado de latência. A falta de interesse por agir leva ao sindicato ser um pelego e acomodado. Com o fim do imposto sindical esses sindicatos deverão buscar recursos junto aos trabalhadores e para tal deverão demonstrar para que foram criados, pois sem isso a sua classe não lhes darão sustento. 


10/04/2012

Em ato no centro de São Paulo, CUT e bancários explicam aos paulistanos como fim do imposto sindical pode fortalecer trabalhadores

 

Escrito por: Luiz Carvalho


O trabalhador com carteira assinada teve uma desagradável surpresa ao final do mês de março. Como acontece em todos os anos, mais uma vez o imposto sindical roubou um dia de seu trabalho, sem que pudesse escolher democraticamente o valor ou avaliar se o sindicato faz por merecer esse desconto.

Para acabar com essa medida autoritária, a Central Única dos Trabalhadores e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região promoveram nesta terça-feira (10), na região central da capital paulista, o primeiro ato público da campanha por liberdade e autonomia sindical.

Também pela primeira vez os paulistanos puderam participar do plebiscito que a CUT promove para acabar com o imposto e substituir a cobrança por uma contribuição negocial definida pelas categorias em assembleia.

“Queremos que essa primeira manifestação em praça pública sirva de exemplo para as outras CUTs nos estados. Principalmente, para chamar a atenção da população, porque muitos trabalhadores tem o valor descontado e não sabem para onde vão”, afirmou o presidente da Central, Artur Henrique.

O dirigente lembrou ainda que essa é uma luta emcampada pela CUT desde o nascimento e que o objetivo é justamente fortalecer os sindicatos de luta. “Aqueles que são representativos e realmente defendem os trabalhadores sairão fortalecidos através do aumento do número de sindicalizados. Porque esse sistema de desconto automático, sem discussão, por meio da imposição, acaba por sustentar entidades de gaveta, que não cumprem seu papel”, completou.

A repositora Patrícia Felix, 25, afirmou votar pelo fim da cobrança por não saber sequer onde fica o sindicato que ajuda a sustentar. “Hoje, o valor sai do meu holerith, mas eu nem sei para quem vai”, disse, diante das urnas onde dezenas de pessoas depositavam os votos e aproveitavam para assinar o abaixo-assinado pelo fim do imposto.

Caso semelhante do auxiliar de câmbio, Francisco Júnior, 33, que afirma ser um dos filiados do Sindicato dos Securitários de São Paulo. “Não vemos atuação e os reajustes em nossos salários são péssimos. Tive um desconto de R$ 34 e no mês que vem também terei. Só que a gente não vê retorno”, criticou.

Presidente da CUT-SP, Adi Lima, também ressaltou o caráter democrático da substituição do imposto por uma contribuição negocial. “Os sindicatos são imprescindíveis na luta por melhores condições para os trabalhadores, mas queremos decidir como fazer isso, por meio de negociação coletiva, com a participação das bases”.

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que Juvandia Moreira preside, é uma prova da possibilidade de organizações fortes sem o imposto sindical. Durante 10 anos, a entidade não cobrou o imposto dos trabalhadores. Porém, uma liminar de 2005 impediu que os bancários mantivessem essa prática. Perante essa decisão, o sindicato resolveu devolver a todos os filiados a parte que lhe cabe na cobrança.

“Quando somos atuantes, prestamos contas, discutimos com a categoria e vamos para as bases conquistamos o respeito. Hoje, mesmo os sindicatos que não fazem a luta recebem o valor. O fim da obrigatoriedade vai fazer se mexer quem não trabalha e acabar com quem não é atuante”, defendeu Juvandia.

Para o secretário de Administração e Finanças da CUT, Vagner Freitas, o imposto atenta até mesmo contra a democracia. “Essa cobrança mantém os sindicatos atrelados ao Estado, vão contra a livre organização sindical”, falou.

Segundo ele, a cobrança não acaba porque há interesses inclusive da classe patronal. “De um lado, os patrões querem trabalhadores que não sejam combativos. E, do outro, porque a maior parte dessa arrecadação vai para os sindicatos patronais.” 



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